Foto by Renata Rocha
O que eu queria hoje, era ter asas para voar....
Mas não voar por voar mas, ter um destino, uma direção, saber para onde ir e principalmente: onde pousar!
Hoje eu queria ter um galho para pousar momentaneamente e me sentir segura, sabendo que o local é passageiro, algo novo esta por vir. Queria a destreza da águia e voar acima das nuvens, e ter uma visão panorâmica do presente e quem sabe de um provável porvir. Mas não queria ser tão forte ou corajosa, nem fazer um voo rasante e arriscado sem cobertura, sozinha. Mas ao mesmo tempo, não queria ninguém... Sentimentos ambíguos porem experimentado por alguém que possue características boderlines, é compreensível.
Hoje fui no doutor Vassalo. Por mais que minha euforia e ansiedade em explicar que o power plate esta me fazendo bem, não foi possível fugir da realidade dos fatos...
Fiz uma radiografia. Quando deitei na maca o radiologista me perguntou o que eu tinha por ter que fazer uma radiografia como a que iria fazer. Para nao entrar em maiores detalhes, expliquei que fiz uma cirurgia, e ele: poxa, tão nova.
A maca estava gelada e comecei a calcular as inúmeras vezes que deitei sobre a mesma, na mesma sala... o quanto de radiação meu corpo já recebeu em menos de 3 anos, o quanto espero por uma resposta e um tratamento definitivo, o quanto não queria estar ali sozinha.
Esperei o resultado... o medico me chamou. Perguntou como eu estava, pois ele gostaria de fazer uma infiltração diferente. O pior foi ouvir: olha, se fosse qualquer outro paciente eu encaminharia para o hospital para ser anestesiado no bloco, mas como sei que vc aguenta a dor, vamos fazer aqui mesmo.
Não doutor Carlos, não aguento não! Eu cansei já... cansei dessa agonia, desse remédio, dessa dor que alguns desmaiam e eu nem fico com as mãos geladas... eu quero a anestesia, o bloco, apagar, dormir, parar de sentir, sumir!
Descemos para o ambulatório para fazer a infiltração, a enfermeira já tinha ido embora e ele teve que realizar todo o procedimento sozinho, contou-me de sua especialização no Colarado agonizando em um frio de menos 19 graus. Renata, respire fundo e coragem! Impossível! A dor é considerada a segunda maior dor que um ser humano consegue enfrentar. Sem anestesia não seria possível. Um improviso com 12 ampolas de xelocaina foram extremamente úteis para não desmaiar e o procedimento ser finalizado. Prefiro por pudor e vergonha não entrar em maiores detalhes quanto a aplicação mas, ele me fez uma pergunta: vc comentou comigo que seu pai teve um problema no quadril, ele fez artroscopia? Não, não, mas teve que colocar protese nos dois lados com menos de 55 anos. Ele olhou nos meus olhos e disse: se depender de mim, vc jamais precisará disto!
Me ajudou a levantar, andar, pegar o elevador. Foi comigo ate o carro perguntou se eu não queria esperar um pouco mais. Me deu o numero da sua casa e se despediu com um: é minha amiga, que batalha é essa hen? Venha na sexta que quero ver como vc esta, e lembre-se: vou te ajudar a voltar a correr !
Ganhei um medico-amigo, um amigo-medico.
Hoje infelizmente é mais um daqueles dias difíceis... mas, antes de concluir este texto, um adorável amigo e parceiro de projetos de inclusão me disse: o inverno existe para nos fazer lembrar do verão!
Achei que a primavera ja estava na porta... mas as folhas caíram novamente... porem, nao desisti de esperar o verão!
ps: cansei de morfina, cansei de ficar sentindo mal, com enjoo o dia todo por causa de morfina, cansei que gastar muito dinheiro com isso. CANSEI, CANSEI E CANSEI ! Ahhhh.... PRECISAVA DIZER ISTO!








