quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Analise

E assim antecipo em virtude do tumultuado mês de dezembro a vir, o meu tradicional sabbat onde realizo o balanço do ano que passou.
Este ano fiz novos amigos, distanciei de alguns outros, ainda existiu aqueles que os laços de estreitaram como nunca. Nasci para ser livre e deixar o outro nessa mesma condição, choro a dor da saudade para não ser eu a carcereira de quem precisa se afastar. Compreendo os tempos, suas rotas contrarias e peco a mesma compreensão.
Este momento do ano me dói muitas vezes, é a hora que paro e analiso se realmente vale a pena, tempo crucial onde muitas vezes digo adeus. Sou longânima, segundo minha mãe: coração mole, porem racional demais quando o assunto é ser eu alvo de pessoas egoístas e oportunistas. Detesto exploração ou aprisionamento, isso impede que ambos cresçam, quero quem me quer e que esse querer me consuma a tal ponto de conquistar o mundo de alguém.
Se alguém for deletado da minha lista, so tenho algo a dizer: me desculpe mas na minha vida não existe mais espaço para vc.

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A minha espera

Alice em sua espera... mostrar ao mundo sua historia
Ontem estava na fila para comprar uma salada quando uma conhecida musica começou a tocar.
Lembrando-me de um momento, uma pagina virada, uma outra fila. Ao fechar meus olhos, visualizei novamente aquele dia, lembrei dos cheiros, sabores, lembrei da roupa, da alegria que ali sentia. Na arte de se transportar no tempo através da memória, contemplei o sorriso fácil de quem estava feliz, percebi que estava naquele momento sozinha, mas com todas as minhas energias voltadas para um único foco: aquela fila. Os desencontros da vida, juntamente com a constatação de que nem tudo é do modo que espera, ensinaram-me que por maiores que sejam as frustrações, no final das contas será sempre eu comigo mesma, não da para ficar no chão muito tempo após a queda, sacudir a poeira e prosseguir é questão de sobrevivência, e a única responsável por me fazer feliz sou eu. E esperando chegar a minha vez e comprar minha salada, a musica a tocar, perdi o apetite! Minha alma foi tão absorvida ao recordar aquele 26 de janeiro, os frutos colhidos após este dia que saciou o estômago, percebi que ate aqui tudo realmente valeu muito a pena. Conversando com Renato vi que hoje o que me faz feliz consiste em fazer muitos outros felizes, não que a minha vida seja perfeita e não tenho necessidades, longe disso, preciso matar um leão por dia ou correr mais rápido que ele, apenas deixo a vida se reciclar a cada novo dia, colocando cada coisa em seu lugar, não dar tanta importância ao que não tem alguma, aquietar e aprender com os erros do passado para errar de modo diferente no presente, e rir de tudo isso no futuro.
O atendente veio anotar o meu pedido, meu celular tocou no mesmo instante.... muitos estímulos para me mostrar novamente o real: em uma fila a esperar, sozinha, sonhando alto e feliz.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meu primeiro Moleskini

Entrei pela madrugada no café com letras, a mesma mesa convidativa que tanto apreciamos, eu e ele rindo de nos mesmos outra vez.
Riamos das nossas próprias mazelas, da vida que projetávamos na adolescência e o abismo encontrado entre o sonho juvenil e a realidade atual. E por um breve momento, o silencio. Aquele mesmo que tanto persegue os pensadores, que apodera de nos quando não conseguimos falar o que tanto luta para sair, e novamente, o silencio foi o nosso silencio. O clima antes cômico deu lugar a uma nostalgia melancólica, chamar o garçom foi necessário:
- Um suco de laranja para a senhorita e um amora com kiwi para mim.
A troca de olhares ja dizia aquilo que o silencio furtou dos lábios, realmente tudo era o oposto daquilo que sonhamos um dia. E a coragem inflou o peito, pediu para eu anotar e falou, ou melhor, despejou o que tanto latejava a alma:
- Perdemos as melhores chances na vida, pelo simples fato de projetar nas circunstancias atuais, semelhantes ao que vivemos no passado, todos os nossos temores, medos, falhas. Mas esquecemos que ainda que sejam semelhantes, ainda que sentimos o mesmo que sentimos no passado, se as pessoas não são as mesmas, as coisas podem sim serem diferentes. Por achar que sei quem sou, e saber o que vai ser melhor para mim, tomei o lugar de Deus e tracei com minhas mãos meu destino, baseando no meu passado de fracasso e não percebi a nova chance que recebi para escrever uma nova historia, joguei tudo fora com medo de arriscar. Eu esqueci que aquilo era tudo o que tinha pedido a Deus, e com medo de errar novamente, perdi a chance de ser feliz dessa vez.
Simplesmente anotei..... ele levantou e disse que precisava de tomar um ar. E li o seu desabafo, e vi a sua dor. Sabia daquilo que ele falava, o que feria a alma. Sentada na mesa, o vi sentado nos degraus da escada cabisbaixo com as mãos entrelaçadas na nuca e pedi a Deus uma nova chance para o meu amigo, para que o tempo de choro não o impeça de ver que também virá o tempo de se alegrar.
Me ajuntei com ele naquele degrau, e contemplei aquele mesmo olhar que a anos adoça minha vida:
- Fufi's (o chamo assim a mais de 10 anos) Deus pode mudar essa situação, pode te dar outra chance.
- Rê, a melhor chance joguei fora com medo de sofrer. A chance que hoje quero é aprender a achar que eu também mereço ser feliz.
O deixei em casa, trajeto silenciosos que era interrompido quando percebido, pela chuva fina que caia... Ao se despedir, tirou da pasta um pequeno embrulho. Mas pediu algo: não grite ! Não abri, rasguei o papel.
Não gritei confesso, chorei muito assumo, e ao olhar para o lado, vi que alguém chorava comigo. Não me deixou falar, saiu para eu curtir o momento. E voltei para casa com uma alegria imensurável!
Diretamente de Roma, ganhei o meu maior objeto de consumo: um MOLESKINI !!!! Um lindo moleskini lilás de uma edição especial Van Gogh. E na primeira pagina, uma dedicatória:
"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo... Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore." (Machado de Assis) Tenho muito medo de altura, mas por você, treino para correr contigo em Nova York. Espero que escreva aqui uma bela historia. Obrigado por 10 anos de amizade, e me fazer tão feliz. Amo muito você. Fufi's
Posso dizer que acordei pisando em nuvens !

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Frase da semana

Todos os dias de manha, na África, o antílope desperta.
Ele sabe que terá de correr mais rápido que o mais rápido dos leões para não ser morto.
Todos os dias, pela manhã, desperta o leão.
Ele sabe que terá de correr mais rápido que o antílope mais lento, para não morrer de fome.
Não interessa que bicho você é, se é leão ou antílope.
Quando amanhece, é melhor começar a correr.
(Provérbio Africano)

domingo, 15 de novembro de 2009

Desfragmentar

Ao longo da semana, utilizei frases de homens celebres para expressar meu modo de pensar no momento, sentimentos, opinião. Fiz valer da imortalidade e legado, tomando para mim, propriedade de expressar-me através de suas ideias.
Silenciar minha voz, predispõe muitas outras Vozes serem ouvidas no Ar, entretanto fazem parte do meu processo de desfragmentar, e assim, analisar meus conceitos e subjetividade, fazer com que o meu todo produza um coro a ressoar o meu pensar, quem sou.
Ontem, ouvi minha própria voz e com ela não as ideias de muitos, mas minhas próprias ideias sobre quem sou. Essa auto analise permite compreender o meu papel no todo e o todo em mim, a influencia das ações sofridas e minha reação diante delas, a inocência de achar que meu atos sempre produzem retorno equivalente e de mesma medida sobre mim, e por mais que eu me importe, sempre terá aqueles que não dão a mínima importância.
Se não tenho possibilidade de controlar meu mundo, o que dizer então daquilo que está em minha volta? O que dizer então do mundo do outro? Perdendo o controle, perco também a ideia de onipotência que leva consigo, a certeza de que me conheço a tal ponto que posso precisar o que desejo, e o que é melhor para mim.
Na verdade, não se sabe o que quer. E por não saber, ficamos a mercê do destino, o que nos ensina a criar determinadas muralhas de proteção contra investidas daquilo que supostamente se acha que não quer.
Após sitiar a estrada da minha vida com alguns altos muros de proteção, suspirar de alivio com a falsa segurança, constato que a minha fortaleza emocional acovardou-me a tal ponto de desperdiçar momentos sublimes, devido a simples fobia de não arriscar com pânico de sofrer. Já perdi noites de sono, perdi ideias, dinheiro, canetas, onibus, pessoas, amigos, o par perfeito, a hora, pedi a cabeça, a paciência, perdi a chance.... e por perder, aprendi a dar valor a conquista, a não perder a oportunidade que se dispõe a frente, a jamais fechar uma porta que se abriu sem saber o que ela tem a me oferecer.
E os dias passam ligeiro, o ano acaba e a sensação latente é que ontem ele se deu inicio! Ainda se lembra do cheiro das iguarias na noite de Natal, a roupa do reveillon, os pedidos com fé a Deus. No drive thru da vida, nem sempre a entrega do pedido é imediata, já outras tantas, chegam com o pacote diferente do solicitado, e isso a indignação de se sentir lesado, não averigua o conteúdo que as vezes pela infinita sabedoria de Deus é melhor do que aquilo que se pediu. E se perde mais uma vez, com a ausência de ousadia.
E segue-se a vida no eterno desfragmentar com a esperança de ser inteiro, sendo que na verdade, o processo de inteirar é fruto de um complemento do eu-com-o-outro e a riqueza das relações humanas se dá em espelhar-me no outro, contemplar, ver o que apraz e o que precisa ser trabalhado, e assim caminhar e seguir em frente.
Por que o certo é que ninguém nunca se viu de verdade, vemos apenas o nosso reflexo! O espelho apenas apresenta a nossa imagem refletida, invertida, as fotografias fazem a mesma coisa... porem, o outro me vê, admira, as vezes acha graça, em outras repudia, porem esses olhares são importantes para a minha existência e faz com que a minha historia ganhe um corpo, enredo e coadjuvantes.
Silenciei as vozes dos poetas, dos filósofos amigos, até Salomão pedi um tempo sabático para adornar meu jardim, e colher tudo aquilo que estava procurando por mim! Nem sempre as oportunidades voltam, e não quero daqui alguns anos lamentar a covardia de não ter arriscado, se as muralhas me impedem de visualizar o horizonte é hora de romper com aquilo que limita minha visão...
A vida é única e so tenho o tempo que se chama HOJE para arriscar, perder, sofrer, chorar, conquistar, recuperar, alegrar, sorrir, proseguir, viver! A vida não vai parar com o intuito que eu realize uma analise s.w.a.t de cada circunstancia, e o maior investimento de risco que alguém pode fazer é se permitir ser feliz!
E assim segue o domingo...

sábado, 14 de novembro de 2009

Confraria de leitores

Sábado bacana é basicamente assim:
Amanhece nublado na cidade bipolar mas, se tem certeza que a tarde vai fazer um sol de rachar. Ai os amigos te ligam e combina-se um churrasco em minha casa com direito a piscina. E chega o Gê cheio de vida e alegria, o Rê amigo-leitor-irmão com seu violão e a Colly morrendo de medo como sempre.
Tarde gostosa de gargalhadas, bate papo, relembrar os grandes feitos de Deus, o anseio pelos outros tantos que Ele fará. Hillsong na TV, o DVD Might to Save quase furou de tanto que assistimos.... e claro: conselhos, projetos, planos, metas!
E em meio as conversas, um assunto veio a tona: os ciclos da vida. E pensar nisso, é pensar no meu amigo Nietzsche em seu conceito de "eterno retorno" onde ele explana a respeito dos ciclos repetitivos da vida, onde estamos sempre presos a um número limitado de fatos, fatos estes que se repetiam no passado, ocorrem no presente, e se repetirão no futuro.
Comentava com os meninos que o impressionante da vida é notar que ela é totalmente cíclica e ao se prestar atenção, é possível notar que o filme que hoje se assiste, é idêntico ao presenciado no passado. Relendo alguns textos deste blog, noto que o filme da minha vida hoje, assemelha muito a algo que vivenciei a 1 ano e alguns meses atrás e eis que percebo Ge também a passar pela mesma estação. Oh céus, oh vida! Mas o interessante é que praticamente se sabe o final da historia!
Mas sábado bom é ficar de bobeira no sofá, vendo pela enesima vez Might to Save, e dar gargalhadas mil com os telefonemas mais inesperados de "passados" que sempre querem se tornar "presente". Oh vida divertida !
E para o Rê, deixo um recado... nos dois que somos tão incompreendido muitas vezes por sempre amar muito, amar o que amamos, a vida, pessoas, amigos... Fica para vc as palavras de Gandhi: um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isso é privilegio dos corajosos. Então meu querido: ALEGRE-SE! Na verdade não fazemos papel de bobos, na verdade, somos o que muitos tanto desejam: CORAJOSOS!

Sessão nostalgia

Nina, minha vizinha fofinha que sempre toca aqui em casa
e pede: ohhhh Rê, você pode brincar comigo?
Cheguei mais tarde do que de costume na academia, queria sentir a liberdade de não ter horário pré marcado, e seguir minha rotina a colocar meu tempo ali. Resolvi malhar sozinha. E sozinha estava! Era a única aluna presente na sala de musculação, troca de turno de professores e para minha surpresa, Thales seria o responsável da vez. Sentou-se a minha frente nos degraus da escada, enquanto eu intercalava o correr e o caminhar, e ali se deu inicio a uma longa conversa.
O assunto debatido: peripécias da infância!
Cada um em sua geração, a contar os causos e percausos de seu tempo, entretanto, algo em comum: a liberdade de criação, expressão e os inúmeros acidentes sofridos por cada um, frutos de uma infância nada convencional, onde reinou brincadeiras diversas! E lembrávamos o subir no pé de manga e ali se deliciar com fruta colhida no pé, bilboquês e bolinhas de gude, eu e minha aversão a bonecas, Thales e sua insistência em tentar romper com a lei da gravidade.
Fiquei 1 hora na esteira e Thales comigo na troca de ideias, viajamos no tempo e nos reportamos a ele de modo tal, que foi possível trazer para o presente um riso fácil, memórias gostosas, uma saudade de um tempo que tínhamos certeza de que éramos felizes e o futuro seria perfeito. Não vivenciei minha infância com Thales, não apenas pela distancia geográfica mas geracional, porem vivemos aventuras parecidas e a mesma alegria nas coisas singelas da vida. E naquele momento, foi possível compartilhar memorias intimas de uma fase mágica, que serviu de base para hoje viver a vida a se buscar sentir novamente o prazer de que a vida não passa de uma eterna brincadeira de tentar ser feliz.
Mas Thales ponderou sobre a sua preocupação com seu fiote-fofucho-gatinho Thiago, um encanto de quase 1 ano. Sua preocupações de ser provedor, de não faltar nada para o filho, de ser perfeito, de não projetar nele alguns temores pessoais, de não errar, ser o pai que ele sempre sonhou em ser. Todavia, seu discurso fundia em uma ideia única: que seu filho fosse feliz todos os dias! Naquela hora vi meu amigo-personal-incentivador repleto de medo, e um coração pequenino tamanha a preocupação em ser perfeito.
Lembrei de uma frase de Dostoievski: a alma é curada ao estar com crianças. Thiago é um presente na vida de Thales, para rechear a vida do meu querido de novidades de vida e trazer de volta o vigor da mocidade já vivida.
Assim, malhei o abdomem com muitas gargalhadas, voltei para casa grata não pela infância que tive, mas pela vida que hoje tenho!

ps: amigos leitores, tenho vivido uma fase de poesia Russa, creio que já esta passando... assim espero!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A formiga e a flor

Ao esperar uma cliente que iria fotografar no museu de arte, sentada na porta de casa, contemplei uma pequena formiga a trabalhar. Pequenina, quase imperceptível, carregava uma flor 10x (ok, exagerei!) maior do que ela. Durante longos minutos observei a formiga e ela literalmente carregava um mundo nas costas, era pesado demais para o pobre bichinho que vez ou outra, tombava tendo que se levantar e novamente colocar a flor nas costas.
Uma pressa em chegar ao formigueiro, devido a sua agilidade, rapidez, e como aquela flor atrapalhava todo o processo... Será que ela não percebeu que aquilo era muito para ela? Que sozinha não estava dando conta? Que não se pode ter tudo e carregar tudo ao mesmo tempo? Será que nenhuma formiga se dispôs a ajudar e dividir o fardo?
E devaneei longos minutos contemplando aquela formiga, a sua dificuldade, persistência. Muitas vezes se carrega fardos maiores que nos mesmos, e criamos fardos que não são necessários para carregar. Outros fardos não abandonamos, e se acumulam com os novos que recolhemos pelo caminho.... é a rejeição que gera magoa, que a falta de perdão a transforma em ódio e quando se vê é um pacote tão imenso e pesado que se carrega, que a única coisa que se enxerga é o próprio fardo! Outras vezes é a busca de uma perfeição estética que gera uma neurose que vira anorexia e no final não está magra, mas sim doente!
E se cria fardos, pega outros que não são nossos, ainda aqueles que são pesados demais e não nos pertence mas insistimos em levar!
Já levei fardos pesados demais para mim, em outros tempos, ajudei muitos com seus fardos, ja dividi os meus com outros, já levei todo o fardo daqueles que não tinham força alguma. Porem, vendo a formiga e seu fardo-flor, lembrei das palavras daquele que sempre me ajudou com os fardos, ou melhor, sempre solucionou os meus fardos.
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu os aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrarei descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:28 - 30"
Ah dona formiga afoita ! Existe alguém que pode aliviar as cargas, e arrancar todo o peso de nossos ombros, coração, alma, vida... Se Deus tem cuidado para que a formiga, ok foi com muito esforço, chegasse com aquele peso todo ao formigueiro, quanto mais com aqueles que escolhem trocar todo o peso pelo seu amor?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bilhete premiado

Mexendo em algumas gavetas da minha casa, encontrei um bilhete. Notei que foi escrito pelo meu pai.
Em algumas linhas tortas, entre desabafos e anseios, uma citação de um dos seus "amigos" de todas as noites, que aprendi a apreciar com ele: o homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo. Léon Tolstoi.
Meu pai nunca temeu a morte, acho que por isso viveu tanto e possuiu tanto. Lembro que ele falava sobre a morte do mesmo modo que se fala da vida, e tinha a certeza que era necessário viver o dia, e viver com tudo a se viver sem perder as oportunidades. Ele sabia que não o restava muito tempo. Ao sentir que os dias se esvaiam diante dele, planejou sua despedida com elegância, queria o que sempre dizia, ficar encantado, foi sem dizer adeus mas deixou muitos bilhetinhos, e para minha alegria, anos depois ainda os encontro!
Aos 9 anos de idade, comentei com meu pai: estranho mas tenho a sensação de que não ficaremos muitos anos juntos. Sempre que olhava para ele, uma nostalgia tomava conta do meu ser. Era uma mistura de saudade, dor, necessidade de registrar tudo, ter memória de elefante! Queria viver tudo ao lado dele, tudo a se viver. Intensidade, tudo isso me ensinou a ser intensa, e por buscar ser intensa, precisei ser inteira para viver tudo. Aprendi a não ser metade, assim perco sempre o restante do todo que me reserva.
Aos 42 anos ele descobriu que não lhe restava muito, e por não lhe restar muito, viveu tudo! E terminou o bilhete assim: aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil. Tolstoi foi feliz, assim como eu fui. Obrigada meu notável escritor por compartilhar pérolas comigo e me convencer que valeu muito a pena.
Pela data, acho que foi seu ultimo bilhete, e nele, encontro um homem apaixonado! Descubro isso anos mais tarde... porem, nunca duvidei da sua imensa paixão pela vida e por minha mãe. Ai, esses bilhetes engavetados... tesouros secretos que surgem em tempo oportuno para alegrar ainda mais o dia, e a vida !

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O sol lá longe....

O céu de Cuiabá, no site da overmundo

Hoje amanheceu nublado na cidade bipolar.... Com aquela cara de frio e fazendo frio ! O calor absurdo de ontem cedeu lugar a uma brisa gostosa que nos faz lembrar que as estações nunca são sempre as mesmas, e variam conforme o querer de Deus. Entretanto, hoje, confesso que esperava o sol, e queria o mesmo, entretanto fico feliz de saber que por mais que densas nuvens fecham o céu impedindo sua luz de brilhar com esplendor, acima delas, o calor e a magnitude que garante o nosso dia, dia, brilha como sempre houve de brilhar.... Em algum lugar ele reluz, amanha quem sabe, em mim também...

Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida.
Fernando Pessoa